domingo, 4 de novembro de 2007

Sorria!



Sozinho? Será que hoje em dia podemos alguma vez dizer que estamos sozinhos?

Pare e pense: saiu do apartamento em direção ao elevador e lá está a casinha preta próxima ao teto e que reflete a tua cara de besta olhando pro nada - uma câmera. Bom, ai você chega no S1 onde está parado seu carro e no final perto da vaga do cara do oitavo andar está outro ícone - mais uma câmera. Chegou no escritório sozinho, tranqüilo, né? Não, não ficou sozinho não, porque todos os cruzamentos que passou até chegar do outro lado da cidade tinha uma camerazinha lá, pronta para te ver ou te multar, como preferir. No escritório acho que não merece nem contar o número de locais onde possivelmente e obrigatoriamente terá uma câmera te filmando. Engraçado seria se também tivesse a placa: "sorria! você trabalha como um condenado e está sendo filmado!"

Isso (mais uma vez) me lembra o filme do Show de Truman. Sim! Imagine quantas tomadas da nossa vida já foram feitas? Quando você acorda, dorme, chora, briga, come, beija, sorri, conversa, fala "sozinho", trabalha... A cada momento, bom ou ruim, temos uma companheira, que só não é de todas as horas porque ela ainda não está dentro do banheiro. Apesar, que se lembrarmos das varias pegadinhas que são televisionadas poderíamos chama-la de amigo inseparável. Mas ai entramos em outro ponto e isso não vem ao caso.

O elevador, para mim, é o local onde as pessoas se deixam intimidar. "Ai, vou esperar chegar em outro local para arrumar a blusa, para arrumar a calcinha, para mexer no cabelo...".

Não podemos deixar que a vida seja comandada por pessoas que estejam do outro lado da cabine, cuidando da vida alheia - não sou contra os vigilantes, mas... - devemos nos expressar livremente, não podemos agir como se vivêssemos constantemente em um reality show!

Será que essa é realmente a única forma de garantirmos a nossa segurança??
espero que não...


*foto: Cesinha - o cara que agora mora com os cangurus!

5 comentários:

Cesinha disse...

Não acredito estar vivendo em um reallity show, no entanto, sei que nossa vida muito se assemelha a tal.
A constante perseguição das câmeras é sem dúvida, uma forma de difundir a já difusa falta de privacidade... Tal como estrelas de cinema e da tv, todos nós acabamos sendo alvo dos mais atentos olhares. A banalização da privacidade, encabeçada por paparazzis e afins, chega a tal nível, que nós mesmos não mais nos encomodamos com aqueles pequenos e frágeis equipamentos.
Se o olho é a jenela da alma,o que serão estas câmeras?

Cesinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Bru disse...

putz boa pergunta... de repente os vizinhso que sempre estão nos espiando?!
interessante questão!
beijos

Fourier disse...

1984
George Orwell

Rê Piza disse...

A vigilância é tanta que espontaneidade pode acabar virando peça de museu. Complicado conviver com essa possibilidade de ter sempre alguém olhando e pré-julgando...
bjos!